sexta-feira, setembro 02, 2011

A poesia do poema de João Cabral


Aquela não é a poesia de João Cabral
Mas é o poema de João Cabral
Sem poesia

Aquele poema de João Cabral
Sem lágrima ou brisa é João Cabral
Vem do rio

Aquele ritmo de João Cabral
Capiberibe, cão,
João Cabral, Severino

Apenas construída tua obra?
Compasso, esquadro e marreta?
Sem sorriso...

É parede o que faz João Cabral
Concreto, tijolo e aço,
Madeira que mal respira
Sem música, ao vento irrita

Muito feia parede, João Cabral
É feiura que feiura grita
Esgarça o mundo sem pluma
Esconde a beleza morta que vibra
Na alma do homem sem riso, sem rio

Feiura entalhada que é vida
Vibrando na corda que rima
Teimar, puro verso que é lindo
Teu poema, a poesia
João Cabral...

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