segunda-feira, setembro 15, 2008

Democracia: então era só isso???


Tudo bem, tudo certo, mas, quando falavam em democracia, lá no início dos anos oitenta, você achava que a coisa chegaria a esse ponto?!
Negócio mais sem graça essa campanha eleitoral... Democracia não era coisa séria, nobre, especial? Não servia para cumprir e executar a vontade do povo? Não era coisa de gente de bem, honesta, que não batia, não matava, não torturava?
Democracia pra trocar de carro, enriquecer publicitário, ludibriar a gente? Democracia sem coerência? Com alianças estranhas, contradições ideológicas, traições explícitas, enquanto o povo é o último a saber? Democracia com milhares de candidatos, quase todos com as mesmas idéias, propostas e golpes? Democracia esfarrapada e caduca, eleitoral, gratuita e milionária; democracia vendida.
Democracia loteada em minutos, siglas e cores? Essa democracia nossa não gosta de povo, mas serve-se dele. Democracia é o povo feliz pelas ruas satisfeito com o que temos? É a esperança de mudanças profundas vindas de quem por lá já passou e pouco ou nada mudou? É a novidade reumática, esfumaçada, de cores antigas e discursos decrépitos? Democracia é só um arroto azedo.
Ou talvez não, mas...
A Bíblia mostra que Deus resolveu promover o dilúvio quando a humanidade estava tão corrompida que não valia mais a pena consertar. Não tenho muita certeza do que realmente estavam aprontando, mas acho difícil que os pecadores daquela época fossem menos funestos que a classe política atual. Será que não é hora de assistirmos a um dilúvio político no Brasil? Ora, esse modelo partidário constantemente confundido com democracia não parece oferecer mais nada de bom, belo ou agradável. Na verdade, nosso sistema serve apenas para nos lembrar de que a coisa pode ficar ainda pior – não creio que seja possível existir uma “ditadura do bem”: a patifaria legendária das legendas só não consegue ser pior do que os regimes de exceção, pois nela, por mais restrita e nefasta que seja, ainda existem opções.
Jorge Luis Borges, escritor tão genial quanto reacionário, escreveu certa vez que a democracia era uma “superstição”. De fato, mesmo sabendo que a democracia é a melhor opção entre as que conhecemos, à vezes penso que já passou da hora da humanidade – ou do Brasil, pelo menos – encontrar uma maneira de tratá-la, a democracia, com um mínimo de respeito e seriedade, em vez de atribuir a ela um poder que, sozinha, não poderá jamais desempenhar? Democracia sem informação, honestidade, seriedade, sem debate real, ideológico, sim, não é nada além do circo de horrores a que somos obrigados a assistir nas épocas de eleições e nos jornais, quando páginas políticas e policiais se confundem.
Se Deus não tem mais interesse em promover dilúvios, como a própria Bíblia nos avisa, seria bom que, ao menos, pudéssemos vislumbrar um arco-íris ao longe, para que tenhamos alguma esperança, para que saibamos que valeu a pena lutar e esperar pelo fim dos anos de chumbo. Pelo menos uma estatuazinha de sal feita de algum canhestro candidato não seria coisa ruim de se assistir...

2 comentários:

minero disse...

Muito bom!!! Belo discurso... Entretanto meu amigo penso no principio da ação e reação, se algo é ruim como nosso quadro social produz duas reações, a primeira delas algo bem pior que o quadro atual e no segundo uma reação oposta é nesta que ainda tenho esperança...

Sara Maria disse...

A sociedade está corrupta,pq O HOMEM está corrupto.Precisamos endender ou aprender q n devemos ser corruptos em nenhum nível.Enquanto isto n for regra em cada um de nós,nada mudará.
COMO fazer modificação é outra conversa.

Visite meu blog tb.
http://www.magalhaesxms.blogspot.com/

Seguidores